Por: Ana Paula de Melo Silva
Dicas de Entrevista: Brincar é diferente de aprender com Tizuco Kishimoto.
Dicas de Entrevista: Brincar é diferente de aprender com Tizuco Kishimoto.
Tizuko
Kishimoto, da USP: brincar é diferente de aprender
Autor:Servico
de Comunicação e Mídia da Faculdade de Educação da USP
Professora
titular da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP),
TizukoMorchidaKishimoto dá aulas na graduação e pós-graduação, nas áreas do
brinquedo, educação infantil e formação do professor. Também exerce as funções
de coordenadora do Laboratório de Brinquedos e Materiais Pedagógicos (Labrimp)
e do Museu da Educação e do Brinquedo (MEB).
Pedagoga,
com doutorado e pós-doutorado em educação, tem vários livros publicados sobre
assuntos relacionados a jogos, brincadeiras e educação infantil.
Em
entrevista ao Jornal do Professor, TizukoKishimoto diz que brincar é diferente
de aprender e fala de temas como as principais brincadeiras utilizadas na
aprendizagem infantil, a melhor forma de utilizar brinquedos na sala de aula,
brincadeiras tradicionais e jogos eletrônicos, e educadores de destaque na área
de brinquedos educativos.
Jornal
do Professor – A senhora pode conceituar as palavras brinquedo e brincadeira?
TizukoMorchidaKishimoto
– Não há um conceito universal sobre tais termos, uma vez que o brincar é visto
como polissêmico, tendo várias significações. No entanto, um dos usos pode ser
o de conceituar o brinquedo no aspecto material e imaterial (qualquer objeto
industrializado, sucata, meu dedo, minha voz, uma idéia), como algo que se
destina ao brincar, que se torna um suporte para a ação de brincar. Posso
brincar com meu ursinho ou boneca, uma pedra, meus amigos e uma bola ou sozinho
com meu amigo imaginário. A brincadeira é o resultado de ações conduzidas por
regras, em que se pode usar ou não objetos, mas que tenha as características do
lúdico: ser regrado, distante no tempo e no espaço, envolver imaginação, dispor
de flexibilidade de conduta e de incerteza.
JP –
Qual é a importância de se utilizar brinquedos ou brincadeiras para o
aprendizado infantil?
TMK
– Não se pode dizer que o brincar leva a qualquer tipo de aprendizagem. Brincar
é diferente de aprender. O brincar é importante por duas razões: para a
criança, o brincar é importante para a expressão de seus interesses e a
comunicação com outros e, para o adulto, o brincar é importante para observar o
objeto ou situação de interesse da criança e, posteriormente, planejar
atividades que de fato representem situações que envolvem a criança.
Na
atualidade, a concepção de educação vista como de melhor qualidade é a que
respeita os saberes e a experiência da criança e seja participativa. O professor
não educa sozinho. Pais, profissionais, outras crianças e a comunidade, todos
fazem parte deste conjunto de atores responsáveis pela educação. O primeiro
passo da educação é a descoberta do que a criança gosta, seus interesses, o que
já sabe e o que gostaria de saber. O brincar é excelente recurso para
observação dos interesses e ações da criança. Pelo brincar, a criança evidencia
saberes e interesses, além de propiciar condições para aprendizagens
incidentais.
JP –
Quando a criança aprende pelo brincar?
TMK
– Quando, por exemplo, pula corda e aprende diferentes formas de fazê-lo,
quando pula junto com outra criança ou pula no ritmo de cantigas. Nesse
processo pode aprender inúmeras habilidades inerentes à própria brincadeira.
Pode aprender, também, quando experimenta novas regras na brincadeira com
outras crianças.
O
brincar é importante para a criança expressar significações simbólicas. Pelo
brincar a criança aprende a simbolizar. Ao assumir papéis, ao usar objetos com
outras finalidades para expressar significações, a criança entra no processo
simbólico. O brincar auxilia o desenvolvimento simbólico. Mas não se trata de
entender o símbolo como exercício ou cópia de letras e números em práticas de
uso do brinquedo no ensino formal. A criança, ao brincar de fazer compras no
mercado, desenvolve a linguagem verbal e quando dispõe de um ambiente
preparado, com embalagens de caixas de mantimentos, refrigerantes com rótulos
que indicam o nome dos produtos, e utiliza dinheiro que constrói como moeda de
troca, vai penetrando no mundo letrado e gradativamente avançando no processo
de simbolização, conhecido como emergência, no letramento.
A
aprendizagem ocorre também quando a criança no brincar, aprende o roteiro ou
guia que subsidia a brincadeira. Para brincar de casinha, é preciso que os
parceiros saibam definir os personagens, o que cada um vai fazer, qual cenário
deve ser utilizado. Para qualquer brincadeira imaginária as crianças utilizam
guias que lhes permitem compartilhar temas, personagens e sequências de ações.
A aprendizagem desses guias implica na capacidade de “leitura da mente do
outro”, a entrada na subjetividade do outro e atenção para a sequência das
ações que complementam o brincar coletivo.
Tais
atividades requerem a observação do brincar, e em seguida, o planejamento
conjunto com as crianças, em uma situação que já não é o brincar, mas ação
mediada pelo adulto, para em seguida, introduzir elementos da cultura do adulto
para ampliar as experiências da criança.
O
ensino de conteúdos curriculares pelo brincar pertence a outra modalidade que
se convencionou chamar “jogo educativo ou didático”, com características
diversas do brincar livre.
JP –
A utilização de brincadeiras também é importante para o aprendizado em faixas
etárias mais elevadas? Neste caso, como a brincadeira pode ser inserida?
TMK
– Nas faixas etárias mais elevadas já não se trata do brincar livre, mas do que
se convencionou chamar de “jogo didático”, em que se usam objetos (brinquedos)
para ensinar. Neste caso, o brinquedo é usado como material pedagógico
destinado a uma função específica de ensino de algum conteúdo curricular.
Embora legítimo, não se trata de brincadeira, mas ação planejada do adulto que
cria situações dirigidas para que o aluno possa agir sobre o objeto ou situação
para retirar conclusões.
Entre
a diversidade de jogos didáticos para o ensino de conteúdos específicos há
inúmeros jogos com letras, números, cores, formas, profissões, entre outros. Na
formação de profissionais há os de simulação em que adultos em formação
representam papéis ou situações relacionadas a um campo profissional: mercado
financeiro, enfermagem, biologia e educação.
JP –
Qual a melhor forma de utilização de brinquedos na sala de aula?
TMK
– Não se tem uma fórmula única para uso do brinquedo e da brincadeira. Algumas
sugestões:
1. Necessidade de escolher os brinquedos.
Não se pode utilizar brinquedos destinados ao consumo familiar, de uso
individualizado de uma criança, para uso institucional. Os brinquedos
destinados ao uso coletivo devem ser seguros, ter durabilidade e resistência.
Pratos e xícaras não podem ser de miniatura e de plástico pouco resistente.
Melhor os de tamanho normal, feitos de material resistente. As panelas devem
ser de alumínio e as conchas de madeira.
2. Ao selecionar e organizar os brinquedos
nas salas é necessário pensar nas temáticas simbólicas significativas no
contexto em que a criança vive, sem fazer distinções de gênero, classe social
ou etnia. Verificar a faixa etária das crianças para selecionar tais os
brinquedos. As classificações de brinquedos como o Esar (exercício, símbolo,
acoplagem e regras) e o ICCP (InternationalCouncil for Children Play) podem
ajudar na escolha de brinquedos para os campos afetivo, relações cognitivas e
sociais e expressão motora.
3. Verificar a utilidade do brinquedo ou
objeto colocado na área da brincadeira, questionando qual o uso que a criança
fará, que tipo de experiência poderá adquirir com o objeto. Pensar nas
experiências significativas das crianças para a seleção dos brinquedos.
4. Separar os brinquedos em áreas ou
setores de modo que a criança possa utilizá-los sem se desorganizar. Se o
brinquedo serve para construir é preciso que estejam disponíveis em áreas em
que a construção seja possível. Se os brinquedos se destinam ao faz de conta é
preciso que estejam juntos para facilitar o aparecimento de temáticas
simbólicas. Se o brincar requer uso de água ou terra é preciso providenciar
espaço e materiais. Brinquedos misturados, quebrados e mal conservados dentro
de caixas não auxiliam o desenvolvimento do imaginário das crianças.
5. É importante dar opções de brincadeiras
coletivas e individuais que representem a diversidade da cultura lúdica do
país.
6. Toda criança deve ter o direito ao
brinquedo e brincadeira independente de questões de gênero, etnia e classe
social, o que equivale dizer que não se pode separar os brinquedos para meninos
e meninas ou pobres e ricos. A diversidade cultural brasileira deve ser
contemplada na inserção de brincadeiras dos segmentos culturais aos quais
pertencem as crianças.
Referência
Bibliográfica: Entrevista com Tizuco. Disponível em: http://portaldoprofessor.mec.gov.br/noticias.html?idEdicao=19&idCategoria=8. >
Acesso 20 de abril de 2015.
Por :Ana Paula de Melo Silva
Referência Bibliográfica:
https://www.youtube.com/watch?v=um6TNGjPT2A
acesso em abril de 2015
Por: Joana Fachini Pinto
Referência Bibliográfica:
https://www.youtube.com/watch?v=6kk__FXVwC0&noredirect=1
acesso em abril de 2015
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